Mostrar mensagens com a etiqueta Mestrado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mestrado. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Uma despedida em Grande!!!

Por nove meses este foi o panorama que tive cada vez que me levantava de manha.



Cheguei passei pelo branco do e acabei no colorido da
Sempre que estava no campo foi esta a minha casa.



Vi o evoluir anual de toda a paisagem...cheguei com o Outono... passei pelo branco do Inverno... e terminei com o esplendor colorido da Primavera.

Depois para me despedir, escalei um pouco para poder ter um panorama geral de todo aquele sitio maravilhoso que me acolheu.



Nao fui sozinho...



Chegamos la acima e foi espectacular...e nada mais espectacular que o pairar gracioso de um Quebra-ossos...uma despedida em cheio.



Ainda com a observaçao de duas Aguias Reais e dois Veados, infelizmente nao suficiente perto para poder ficar com uma boa recordaçao...uma simples foto, que somadas a tantas outras me permitirao recordar para sempre este ano espectacular e tao especial da minha vida...de biologo, de viajante, de amante da natureza.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

VI Congresso atIT, Parco Naturale Adamello-Brenta, JJ3


Com o intuito de assistir ao VI Congresso de Teriologia, 2008, organizado pela atIT em Cles, já fora mas muito perto do Parque Natural Adamello-Brenta.

Ficamos hospedados, durante as 3 noites, num Agriturismo ("Renetta") na pequena vila Tassulo.
Uma estalagem muito acolhedora, retratando um refúgio de montanha, que todas as manhãs nos regalava um verdadeiro pequeno(só mesmo de nome)-almoço dos deuses com uma mesa repleta de óptimas iguarias.

Infelizmente o congresso começou logo com uma infeliz notícia. JJ3, um urso pardo ("Ursus arctos"), que após alguns desacatos com contentores públicos para os desperdícios urbanos, no dia 15 de Abril (dia anterior ao primeiro dia de conferência), as autoridades Suiças se viram obrigadas a abater, alegando que esta situação se vinha a prolongar à demasiado tempo.

Após alguma pesquisa, a informação que obtive foi que JJ3, pelas suas dimensões, e por se ter habituado a procurar estes recursos urbanos, perdendo assim o medo do Homem, se tornou um perigo para os residentes locais.
Que é um perigo, não se questiona, mas a resolução terá sido a melhor? Estará a comunidade Suiça pronta para receber outros ursos que futuramente decidam passar a fronteira, como defendem os responsáveis governamentais suiços para o ambiente?
A situação piora um pouco quando:
-JJ3 vinha a ser monitorizado desde 2007 pelas mesmas autoridades que o abateram, tendo sido gasto cerca de SFr300,000 ($299,925) durante todo o ano;
-o mesmo pertencer a uma população(?) centro-alpina de apenas 20 exemplares;
ter sido o segundo exemplo de abatimento após movimento transfontreiriço nos últimos 2 anos, seguindo o mesmo fim do seu irmão JJ1, morto em 2006 na Bavaria;
-ser resultado de um projecto a longo prazo, de reintrodução, realizado pelas autoridades italianas no Parque Nacional Adamello-Brenta no fim dos anos 80, após se encontrar quase em extinção no mesmo;
-quando a Suiça pertence ao grupo, a que chamam, dos Países Desenvolvidos, visando estes uma política de gestão sustentável dos recursos naturais;
-e muito mais poderia dizer mas receio vir a alongar-me demasiado...

Mas voltando à conferência, muito foram os trabalhos expostos, os métodos criticados e a informação absorvida.

No segundo dia de conferência, como nos esperava uma manhã repleta com um assunto, não menos importante, mas talvez mais distanciado dos nossos objectivos de trabalho actual, a parasitologia, decidimos fazer um pequeno passeio pelo Parque Natural e assim conhecer um pouco da sua natureza selvagem.

E que bella surpresa nos esperava. Nada melhor para repôr um pouco de alegria, após a triste notícia do dia anterior, que a observação de todo um completo traçado de pegadas sobre a neve de um pesado e enorme adulto (que deveria ser uma fêmea) e pelo menos de uma cria de urso pardo. A alegria foi enorme, a raridade da observação de uma pista de 2 de 20(agora 19) indivíuduos distribuídos por uma área de 620.51km2 é, como é de esperar, elevadíssima.

O parque é simplesmente espectacular. Com um manto verde composto por uma rica floresta de coníferas só quebrada por enormes precipícios e ravinas cavadas naturalmente na rocha. Estou desejoso de lá voltar muito em breve, e passar um belo fim de semana no meio do parque, e quem sabe se em vez de indícios de presença, não vejo mesmo um belo exemplar...é muito difícil, mas sentado no sofá é que não os vejo de certeza, a não ser na TV.

(foto de Asbrauss)
Nuno Oliveira

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Parco Nazionale Gran Paradiso, Vale d'Aosta, Itália


De mala às costas com roupa e comida para quatro dias e o material de trabalho, lá nos fizemos nós, Eu, Fra e Davide, a mais uma caminhada espectacular, montanha acima, com o objectivo de chegar ao abrigo que nos ía acolher (que como mais à frente, pouco mais nos fornecia que um bom tecto) e para assim podermos fazer mais uma sessão de capturas de lebre branca. Uma caminhada de uma hora e meia com muita neve e não muito frio, que com o evoluir do tempo se tornou num calor quase insuportável.

Chegados ao topo daquela enorme colina, 2165m acima do nível do mar (a.s.l.) podemos respirar um pouco e poder admirar a bela paisagem que nos rodeava. Mais uma vez me senti imensamente pequeno perante enormes montanhas que me rodeavam em todos os 360 graus. De todos os lados emergiam do chão enormes montanhas com os seus belos 4000m, e entre elas, lá estava aquela cujo o nome o dá ao parque, Grand Paradiso, com os seus 4061m (confirmados por Davide que já subiu em tempos ao seu topo) dando-lhe o estatuto de a maior montanha unicamente Italiana. Depois de admirarmos todo aquele panorama, lá fizemos nós os últmos 200m e…lá estava ela, a nossa bela casa que por 4 dias e 3 noites nos iría acolher humildemente, no meio de enormes montanhas e sujeita frequentemente a perigo de avalanche. Mesmo o facto de sabermos que era a primeira vez que alguem ali passava mais de uma noite em pleno inverno não nos assustou, e lá nos dirigimos nós ao nosso palácio.

Não muito diferente do que já estamos habituados nos vários refúgios das nossas áreas de estudo, lá entrámos naquela casa que pouco mais nos tinha para oferecer que 4 paredes, um telhado e uma lareira que de vês em quando tinha a mania de encher a casa cheia de fumo. E assim se passaram três belas noites à luz de velas, sem wc, incomunicáveis e isolados do mundo, a ir buscar água a um pequeno reacho que passava junto a casa e a ter todas as noites a companhia de um ou outro pequeno roedor a fazer o seu zeloso trabalho ruidoso. Mas todo aquele paraíso natural compensa bem a falta destes pequenos luxos que a sociedade nos fornece.

Apesar deste trabalho não fazer parte do meu projecto, a experiência valeu bem a pena. Fiquei assim a conhecer um mundo novo e diferente, que a maioria das pessoas que a poucos quilómetros habitam, mais teve a oportunidade de o ver e sentir. Em termos de trabalho foi uma desilusão por não termos capturado nem uma lebre. Mas è esta a vida da investigação, nem sempre corre pelo melhor, nem sempre corre como nós queremos e gostariamos. O esforço de acordar às 6h30 da manhã para percorrer todas as armadilhas na esperança de que, pelo menos uma, tivesse um habitante temporário foi em vão. Mas espera-se que das próximas sessões, que em princípio não serão feitas na minha presença, o resultado seja bem mais positivo.

Durante os 4 dias ainda ficou o registo das diversas espécies faunísticas que observámos: Capra ibex, Rupicapra rupicapra, Loxia curvirostra, Parus ater, Corvus corone corone, Aquila chrysaetos (2 juvenis) e Falco peregrinus.
Na viagem observámos: Ardea cinerea, Egretta alba, Phalacrocorax aristotelis, Buteo buteo, Falco tinnunculus, Pica pica, Gavião, Turdus merula, Passer domesticus, Corvus corone cornix e Garrulus glandarius.

Foto de Francesco Bisi.